Na maré do desenvolvimento sustentável, a onda da vez são os chamados créditos de carbono. Segundo relatório do Banco Mundial, este mercado movimentou US$ 30 bilhões em 2006, um aumento de 3 vezes em relação ao ano anterior. Mas o que são créditos de carbono? Como funciona este mercado? E qual o seu objetivo?
Origem
O Protocolo de Quioto, acordo assinado em 1997 na cidade de Quioto – Japão por mais de 160 países e que busca soluções para o problema de aquecimento global, determina que seus signatários diminuam em 5,2% em relação ao ano de 1990 a quantidade de gases poluentes lançados à atmosfera, de 2008 a 2012. Estes gases do efeito estufa (GEE) foram tabelados em um sistema chamado Potencial de Aquecimento Global (em ingles, Global Warming Potential). Ao CO2 foi atribuído o peso 1. Existem gases, como o Hexafluoreto de enxofre que possuem peso 23900.
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1 crédito de carbono corresponde a 1 tonelada de CO2 equivalente. Para entendermos melhor os números, produzimos uma tonelada de CO2 equivalente quando:
- Dirigimos 2.080km em um carro comum;
- Utilizamos o computador por 10.600 horas;
- Criamos uma vaca leiteira por oito meses.
Um brasileiro comum produz em média 1.7ton/ano. O planeta produz 25 bilhões/ano, sendo que os EUA produzem 6 bilhões.
O mercado
O Protocolo de Quioto criou alguns mecanismos para auxiliar na redução dos gases poluentes na atmosfera, entre eles o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Um projeto que resultar na diminuição do impacto ambiental e for aprovado pelo MDL poderá lançar papéis no mercado. Os países desenvolvidos que não cumprirem suas metas de redução de emissões podem compensar o problema comprando créditos de países em desenvolvimento (que não são obrigados a atingir metas). No caso do Brasil, a autoridade responsável pela avaliação dos projetos é a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (CIMGC), presidida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
Tais projetos estão relacionados a reflorestamentos, ao desenvolvimento de energias alternativas, eficiência energética, controle de emissões, entre outros. Aprovados, os papeis são então negociados em uma bolsa, como por exemplo a Chicago Climate Exchange. Atualmente, um crédito de carbono brasileiro é negociado a 5 dólares.
Os perigos
Em um primeiro momento cheguei a pensar que tal mercado estaria fazendo com que os países desenvolvidos pudessem comprar o direito de poluir e continuar com a má utilização de seus recursos, e que o planeta continuaria na mesma situação calamitosa. De certa forma eles estão comprando sim o direito de poluirem o ambiente, mas até o limite de redução imposto pelo protocolo. O dinheiro da venda dos créditos ajudaria aos países em desenvolvimento a investirem em políticas de crescimento sustentável.
Mas nem tudo é um mar de rosas. Como é um mercado ainda muito incipiente e sem regras claras, existe espaço para que especuladores financeiros se aproveitem da idéia, e o que era para ajudar o ambiente acabe se tornando mais um mercado. Além disso, analisando o histórico brasileiro, é difícil acreditar que a renda obtida com projetos MDL vá para a população pobre, para o pequeno produtor rural ou empresário que resolveu otimizar seus processos. Me preocupo com o risco de estas transações acabarem apenas nas mãos de grandes corporações, tornando-se apenas mais uma fonte financeira para tais empresas.
Nos resta acompanhar o desenrolar dos fatos para ver onde isso irá desenbocar. E você, o que acha do mercado de créditos de carbono? Deixe sua opinião.


