Auditório lotado. Assim começou o 33º Encontro Nacional dos Estudantes de Administração - ENEAD 2007. O administrando.net acompanhou a palestra de abertura, feita pelo pernambucano Marcos Antonio Magalhães, Presidente da Philips do Brasil & Latin America de Jan/2000 à Março/2007, atualmente no Conselho Consultivo da mesma.O Sr. Marcos, filho de professora primária, falou sobre a crise na educação brasileira e algumas possíveis soluções. Sua apresentação, intitulada “Educação Pública no Brasil - uma experiência exitosa em Pernambuco”, focou-se em mostrar o cenário atual em que o ensino brasileiro encontra-se, em seguida mostrando iniciativas existentes que deram certo em Pernambuco, e que agora estão sendo implantada em outros locais.
A palestra inicia-se com um panorama. De acordo com o Índice GINI, que mede a desigualdade entre as nações, o Brasil, embora seja a 10ª economia do mundo, encontra-se na posição 71ª em desigualdade, atrás de países como Qatar, Venezuela e Cuba.
Em seguida, o palestrante ressaltou a importância dos investimentos na área de educação. Exemplos como o da china, que embora tenha adotado uma política de enviar seus jovens para estudar fora do país, tenha dado condições favoráveis para que os mesmos retornassem para ajudar no desenvolvimento da nação. Não consigo imaginar exemplo tão antagônico com a política de ensino superior do Brasil, onde nossos estudantes vão para o exterior com incentivos governamentais, mas raramente acabam voltando, dada a ineficiência do governo em reter mão de obra qualificada, recompensando o tempo de estudo com baixos salários e oportunidades.
Marcos Magalhães enfatizou ainda a completa ineficiência do sistema educacional, onde segundo dados do Censo escolar de 2004, o desperdício na educação Brasileira é absurdo, haja visto que dos 34 milhões de estudantes no ensino fundamental, apenas 9 milhões chegam ao ensino médio, e destes, somente 3 milhões à Universidade.
Um problema que reside também na máquina administrativa, diz Marcos. “Comparando a quantidade de cargos comissionados entre Estados Unidos (3 mil) e Brasil (23 mil), como este pode crescer tendo um administração pública essencialmente não técnica, atuando meramente por méritos políticos?”, questiona.
Não ficando apenas na crítica, o palestrante nos deu exemplo de iniciativas interessantes que estão acontecendo em Pernambuco. Associações como o IQE - Instituto para a Qualidade de Ensino – e EDH – empresários pelo Desenvolvimento Humano -, entidades formadas por empresas privadas e que reúnem mais de 50 membros, buscam ressaltar a importância da educação para o desenvolvimento do país. Entre tais iniciativas está o projeto qualiescola.
Com dados concisos, a palestra nos lembrou do ponto central em que tanto o Governo quanto a Sociedade Civil devem concentrar seus esforços na busca por um país mais desenvolvido: educação.


